sábado, 5 de dezembro de 2009

MORTA DESILUSÃO


Mortos visitam os mortos, transformando o encontro numa grande reunião, numa troca de idéias não ditas, não ouvidas! Fisionomias fantasmagóricas se afastam do que aos olhos eram tidas como normais... Canta-se no cemitério à meia noite, o galo que se faz presente e um toque de sino faz surgir sons aos ouvidos que guiam os personagens numa valsa da morte que não tem volta que não tem fim... Cães possuídos guardam a entrada do conhecido eterno sanatório e as paredes crescem de encontro as nuvens carregadas de prantos de dor. Quebra-se enfim uma bola de cristal, mas nada se desfaz, é um sonho eterno que diz olá.
Sombras se escondem do proibido e enxergar o mundo é queimar os olhos com a vista incandescente... Abre-se uma cova, olha-se no fundo o próprio corpo e uma apunhalada não mais pode atingir. Não há reflexo no espelho e a procura de um toque é quebrada ao se encontrar perdido, ao se ver esquecido. Vaga-se agora pela vida e corre pelo mundo na busca do entender, na busca do compreender. Faz-se sombra eternamente e deixa de viver quando nunca viveu... Fecham-se as portas, é trancafiado no solitário da escuridão e não se ver diante de uma clara luz...
Desesperasse a chorar, desesperasse a gritar e um abismo não é encontrado... Não existe mais o que fazer, põe enfim a corda no pescoço, não se pode morrer duas vezes e a única escolha por não querer ir é penar...

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