
Se uma taça de cicuta fosse servida nessa noite cálida e banhada pelo cheio da Lua, seria eternamente saboreada e faria adormecer a dor inconstante que não avisa quando vem ou quando irá passar. Certo de que a cor vermelha pertence a sangue e não a lágrimas, sabe-se certamente que nem o que jorra do pulso é água. De um suspiro profundo, esquecido e dormentio, são extraídas as últimas passagens da vida, ainda que não seja orgulho a vida dar adeus, ainda que a solidão perca uma companhia. Quase que despercebido são os gritos calados, já que o vazio do vazio não pode ser visto e o sentido é perdido! Como se no céu fosse observado a sombra das estrelas e do alto da montanha o desconhecido e amaldiçoado inferno! O véu que cobre é o fel que adoça... Loucura que não sabe de onde vem, insanidade que perdida, não sabe para onde vai. Fica no encontrado aquele olhar cabisbaixo que não pode ser visto, que não quer ser notado. Nessas interrogações que bailam no ar, são aprisionados os desejos que se jogam nas covas do coração, no cemitério da alma. Um pássaro argorento não mais irá assustar, certo de que cegos não podem ver e surdos não ouvem gritos. Se o sentido de se observar com o coração foi pelo mundo tomado e enforcado, nenhum espectro que tenha, mas não mereça a vida, seria tão frágil a ponto de fazer seu coração pulsar e o pensamento fluir, se apenas pudesse sentir.
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