São dias sem enxergar a realidade se negando a observar o que há em frente aos olhos, e quem diria que por uma fração de segundos o nada pode ser visto?! Os nervos travam, as mãos se espalmam, o coração desacelera, o pensamento dilacera... Ah, as sensações sufocam, os desesperos imploram! O que aconteceu?! Não se sabe, ninguém sabe... ninguém pode saber. A única coisa estampada foi a tristeza marcada, o som morto de um corpo pesado, inerte e desmembrado em meio ao medo do nascer do sol! Palavras sem sentido, agonia sem aviso, desespero sem dor... Quando do muito foi roubado fica a única certeza do que não pode ser, não pode ser enquanto é... Quem espera algo, hum, continue esperando... Mas apenas uma pessoa espera, eu espero algo, sou eu que espero esse algo que apenas eu sei o que é, sou eu que o aguardo, sou eu a única que o aceita... apenas eu espero esse algo... Então a mim, pare de se espernear, deixe a sua loucura te cegar, deixe sua ira te alcançar, deixe-se a ti se mostrar. Aceite, não negue, procure e não esconda, faça e não se sinta crucificada, fale com palavras que se escondem em meio ao seu silêncio, mas seja, não esqueça... Apenas seja!domingo, 6 de dezembro de 2009
Agonia
São dias sem enxergar a realidade se negando a observar o que há em frente aos olhos, e quem diria que por uma fração de segundos o nada pode ser visto?! Os nervos travam, as mãos se espalmam, o coração desacelera, o pensamento dilacera... Ah, as sensações sufocam, os desesperos imploram! O que aconteceu?! Não se sabe, ninguém sabe... ninguém pode saber. A única coisa estampada foi a tristeza marcada, o som morto de um corpo pesado, inerte e desmembrado em meio ao medo do nascer do sol! Palavras sem sentido, agonia sem aviso, desespero sem dor... Quando do muito foi roubado fica a única certeza do que não pode ser, não pode ser enquanto é... Quem espera algo, hum, continue esperando... Mas apenas uma pessoa espera, eu espero algo, sou eu que espero esse algo que apenas eu sei o que é, sou eu que o aguardo, sou eu a única que o aceita... apenas eu espero esse algo... Então a mim, pare de se espernear, deixe a sua loucura te cegar, deixe sua ira te alcançar, deixe-se a ti se mostrar. Aceite, não negue, procure e não esconda, faça e não se sinta crucificada, fale com palavras que se escondem em meio ao seu silêncio, mas seja, não esqueça... Apenas seja!Prazer e Dor
Ela sabia bem qual o peso de se ver sozinha numa noite como essas, cheia de sonhos perdidos e imagens oblíquas de uma noite que infelizmente apresentava seu longo ao mesmo tempo em que curto fim. Era assim que acontecia quando seus sonhos não passavam de sonhos, e seus desejos não cumpriam suas necessidades físicas. Como amante do desejo e do prazer, era difícil de um quase impossível esquecê-lo de uma só vez comparando-se ao amor. Era possível sentir em seu bafo quente e ofegante o quanto desejava e ansiava pela noite dos seus sonhos, onde seu líquido jorrava do mais profundo sussurro do seu ser, realizado e não mais cansado de tanta espera. Suas partes íntimas foram flácidas diante o olhar guloso de quem as queria romper, seus seios palpitavam como se em vida fossem saltar do corpo para não mais voltar. Como um cigarro a espera de um bandido, como uma bebida a espera de um gole profundo. Seu sorriso sedento pedia aos poucos para ser possuído, tocado e mastigado por uma loucura sem fim. Sua saliva ao mesmo tempo em que corria em sua boca, banhava seus lábios como um cão faminto que não mais pode esperar. Ela, a perdida e desejada esperança da noite, se jogou em brancos de uma brancura quase indecente, mais não sabia, porém, como se portar numa realidade que parecia tão difícil de existir. Aos poucos e somente aos poucos, foi ficando fácil de se ver nesse espelho nublado, como uma máscara, ela se deixou tirar e refletir o que era, o que a poucos deixara de ser. Estava ali seu orgulho quebrado, estava ali sua cara a pau, estava ali seu sorriso ferido... E nada mais podia atrapalhar ou ainda menos voltar ao que antes era. O desejo foi saciado, o prazer foi corrompido pelo gozo do querer mais, os beijos foram deixados de lado, o que importava era apenas cair e dormir um sono profundo. Sabia ela, mesmo sem querer saber, que mais um sonho iria perturbar sua noite quase tranqüila, nada mais poderia abafar seus sonos e seus sonhos, escrava dos gemidos agora se tornava também da noite, posto que a cada fechar de olhos, era seu corpo nu e esfarrapado que batia na porta dos seus sonhos, era sua mão fria e desajeitada que tocava seu robusto corpo, eram seus dedos e nada mais que dedos que lhe apresentavam ao exagerado prazer!sábado, 5 de dezembro de 2009
O Que Não Quer Resposta
O que gera suicídio? Talvez a brisa que não toca ou o som não ouvido. Pode ser a noite que nunca chega ou o dia que demora passar! Talvez seja a falta de coragem ou coragem em excesso, pode ser até mesmo o medo ou a obrigação do ter que continuar. Muitos que procuram mil e um motivos não encontram para o ocorrido, mas, quem pode dizer que não existiu mil e dois motivos para quem se deu adeus? É tolo aquele que se acha incapaz, é fraco aquele que em si acha capacidade. E de um último suspiro surgem várias interrogações e inúmeras exclamações! Há espanto diante do não entendido, são buscas sem rumo, são certezas que não encontram sentido! O que gera suicídio? Talvez tudo, ou talvez nada... Não há reposta, não há perguntas e ninguém tem a certeza do que se quer ter, ninguém se deixa procurar entender. Não há como saber na verdade quais são os motivos, talvez possam causar nos outros os mesmos efeitos e se mostrar fraco, parece idiotice!MORTA DESILUSÃO

Mortos visitam os mortos, transformando o encontro numa grande reunião, numa troca de idéias não ditas, não ouvidas! Fisionomias fantasmagóricas se afastam do que aos olhos eram tidas como normais... Canta-se no cemitério à meia noite, o galo que se faz presente e um toque de sino faz surgir sons aos ouvidos que guiam os personagens numa valsa da morte que não tem volta que não tem fim... Cães possuídos guardam a entrada do conhecido eterno sanatório e as paredes crescem de encontro as nuvens carregadas de prantos de dor. Quebra-se enfim uma bola de cristal, mas nada se desfaz, é um sonho eterno que diz olá.
Sombras se escondem do proibido e enxergar o mundo é queimar os olhos com a vista incandescente... Abre-se uma cova, olha-se no fundo o próprio corpo e uma apunhalada não mais pode atingir. Não há reflexo no espelho e a procura de um toque é quebrada ao se encontrar perdido, ao se ver esquecido. Vaga-se agora pela vida e corre pelo mundo na busca do entender, na busca do compreender. Faz-se sombra eternamente e deixa de viver quando nunca viveu... Fecham-se as portas, é trancafiado no solitário da escuridão e não se ver diante de uma clara luz...
Desesperasse a chorar, desesperasse a gritar e um abismo não é encontrado... Não existe mais o que fazer, põe enfim a corda no pescoço, não se pode morrer duas vezes e a única escolha por não querer ir é penar...
Sombras se escondem do proibido e enxergar o mundo é queimar os olhos com a vista incandescente... Abre-se uma cova, olha-se no fundo o próprio corpo e uma apunhalada não mais pode atingir. Não há reflexo no espelho e a procura de um toque é quebrada ao se encontrar perdido, ao se ver esquecido. Vaga-se agora pela vida e corre pelo mundo na busca do entender, na busca do compreender. Faz-se sombra eternamente e deixa de viver quando nunca viveu... Fecham-se as portas, é trancafiado no solitário da escuridão e não se ver diante de uma clara luz...
Desesperasse a chorar, desesperasse a gritar e um abismo não é encontrado... Não existe mais o que fazer, põe enfim a corda no pescoço, não se pode morrer duas vezes e a única escolha por não querer ir é penar...
Prantos de Chuva
Agora as lágrimas parecem raios que cortam o coração e a cor vermelha é banhada pelo escuro da noite densa. O destino parece assustador aos olhos de quem viveu o passado e transparece num presente remoto ao mesmo tempo em que inato. São vasos antigos que se quebram com o toque dos ventos e laços que só são cortados com a pancada de um machado. Caneta e papel são menos que em vão, não dizem nem procuram mostrar o que na verdade se encontra e existe. O som parece opaco e o mundo do vazio preenchido de espaço aumenta a cada nova descoberta vinda do além, essas que batem na memória e se apossam da lógica perfeita e imperfeita, procurando uma explicação para perguntas sem sentido, ainda assim em sintonia com as dúvidas. Um objeto já não mais é preciso, o concreto só consegue ser visível aos olhos e a palavra adeus parece não ter sentido diante de um simples tchau, banhado pelas lágrimas do céu e varrido pela brisa do entardecer! Olhar para trás já não quer dizer nada... sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Faço da tinta a forma das minhas palavras, faço dos meus passos os caminhos da minha mente. Mas, e se fosse insano tudo que se pede, se fosse triste tudo que se vive? Risos se perdem nessa mente preocupada que tenta abrir no mundo os olhos que pedem por não observar, pois é hipócrita e mesquinho o que se nega a se perder nas ilusões e se esconder do maravilhoso mundo de novas descobertas. Não posso de forma alguma dizer que sempre foi assim, não posso nem me conhecer ao todo, pois meus olhos só enxergam até onde os deixo enxergar. Sei apenas que minha vida não é apenas vida e meus escritos não são meros escritos... Em um dia não muito presente ou no presente até mesmo distante, o mundo será capaz de flutuar com o vento que toca e dançar a dança do universo que diante a sociedade padrã é de certa forma proibida. Tenho minha filosofia e ainda que viva na agonia de inteiramente não poder vivê-la, posso como “meu amigo” Sócrates, derramar cicuta no interior desse ser que nunca quis com a vida ser amargo. Observo nos meus próprios olhos um novo amanhã, onde tudo será vivido de forma livre, onde os escolhidos e escravos dessa quase monarquia capitalista, irão se rebelar com o único propósito de correr, de voar, de cantar, de viver... Como nos rituais perdidos, fecho os olhos para tudo poder ver e ainda que os dias passem, não há ninguém nesse mundo material que irá tirar essa beleza interior, essa cultura que há muitos fora esquecida, essa vida que de muitos fora levada.
Simplesmente Ser

Ela, presa por suas próprias asas, amordaçada, acabada. Tão frágil e determinada como uma criança que tonta não sabe para onde vai. Liberdade privada, sonhos cortados! Negra como o céu da noite, opaca como sua cor. Apenas um ponto branco na escuridão e não resta nada. Vontade de seguir e voltar ao seu habitat, de sair e se ver ainda do chão longe, poder voar... Não pode ser uma simples vespa (mariposa), não quer deixar de ser simplesmente borboleta!
Cripta

Se uma taça de cicuta fosse servida nessa noite cálida e banhada pelo cheio da Lua, seria eternamente saboreada e faria adormecer a dor inconstante que não avisa quando vem ou quando irá passar. Certo de que a cor vermelha pertence a sangue e não a lágrimas, sabe-se certamente que nem o que jorra do pulso é água. De um suspiro profundo, esquecido e dormentio, são extraídas as últimas passagens da vida, ainda que não seja orgulho a vida dar adeus, ainda que a solidão perca uma companhia. Quase que despercebido são os gritos calados, já que o vazio do vazio não pode ser visto e o sentido é perdido! Como se no céu fosse observado a sombra das estrelas e do alto da montanha o desconhecido e amaldiçoado inferno! O véu que cobre é o fel que adoça... Loucura que não sabe de onde vem, insanidade que perdida, não sabe para onde vai. Fica no encontrado aquele olhar cabisbaixo que não pode ser visto, que não quer ser notado. Nessas interrogações que bailam no ar, são aprisionados os desejos que se jogam nas covas do coração, no cemitério da alma. Um pássaro argorento não mais irá assustar, certo de que cegos não podem ver e surdos não ouvem gritos. Se o sentido de se observar com o coração foi pelo mundo tomado e enforcado, nenhum espectro que tenha, mas não mereça a vida, seria tão frágil a ponto de fazer seu coração pulsar e o pensamento fluir, se apenas pudesse sentir.
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